Aos 70 anos, motorista que deixou a escola para trabalhar na roça retomou os estudos para ler aos netos e assinar o próprio nome: integrou uma turma de alfabetização com 26 formandos na Ufes
O retorno aos estudos na terceira idade amplia a autonomia pessoal, transformando a rotina e fortalecendo os vínculos familiares
Retomar a rotina escolar após décadas de trabalho no campo representa um passo transformador para quem precisou interromper a infância. Essa busca devolve a plena dignidade pessoal, amplia horizontes culturais e celebra uma verdadeira história de superação para cada novo estudante.
Como uma simulação ilustra o recomeço escolar na maturidade?
Imagine um motorista idoso que deixou as salas de aula ainda menino para arar a terra e sustentar familiares. Anos depois, ele reencontra a esperança ao buscar autonomia na leitura diária para presentear netos e dominar a escrita oficial.
Essa encenação ilustrativa é totalmente fictícia e não exibe gravações da vida de Ruberval Nascimento. A realidade confirmada pela universidade em 6 de outubro de 2026 envolveu a formatura desse idoso com outros 26 formandos na renomada instituição capixaba.
Quais leis brasileiras asseguram a educação de jovens e adultos?
A legislação educacional brasileira estabelece a modalidade de jovens e adultos como dever público indispensável. O artigo 37 da Lei de Diretrizes e Bases consolida essas garantias fundamentais, assegurando oportunidades gratuitas e apropriadas para quem busca recuperar o tempo escolar com plena cidadania.
O Estatuto da Pessoa Idosa reforça esse amparo nos artigos 20, 21 e 25 ao exigir métodos pedagógicos adequados às faixas etárias avançadas. O texto legal prioriza o permanente respeito comunitário, estimulando cursos que fortaleçam a autonomia intelectual dos veteranos.
Abaixo, um vídeo do canal formacaoalfapaulofreireuneb no YouTube que aprofunda os pontos discutidos neste tema:
Como a UnAPI e a Ufes transformaram a trajetória de Ruberval?
A Universidade Federal do Espírito Santo oferece cursos vitais por meio da Universidade Aberta da Pessoa Idosa. Essa louvável iniciativa de extensão acadêmica acolhe quem trabalhou a vida inteira, promovendo a autêntica inclusão social e comprovando que o conhecimento nunca envelhece.
Aos setenta anos de idade, o motorista Ruberval Nascimento celebrou a conclusão dos estudos ao lado de vinte e seis colegas. Conquistar o merecido diploma representou a capacidade de assinar o próprio nome, simbolizando uma marcante conquista cidadã para toda a comunidade.
Quais impactos a alfabetização tardia traz para as famílias?
Aprender a decifrar palavras na maturidade desperta sentimentos profundos nas relações familiares diárias. O simples gesto de ler livros para os netos pequenos aproxima diferentes gerações com imenso afeto, fortalecendo a convivência doméstica e inspirando os jovens a valorizarem o saber.
Dominar as letras elimina antigas inseguranças em bancos, cartórios ou no transporte urbano coletivo. Essa nova condição renova a autoestima dos idosos, devolvendo a eles a legítima independência para cuidar de assuntos particulares sem depender da ajuda de estranhos.
A redescoberta do ambiente escolar proporciona transformações marcantes no cotidiano de quem volta a estudar:
- Capacidade imediata de assinar documentos oficiais e cartas pessoais sem recorrer à impressão digital.
- Possibilidade de ler histórias e contos infantis com segurança para filhos, netos e outros familiares.
- Maior facilidade para identificar itinerários de ônibus, receitas médicas e placas informativas nas ruas.
Como a sociedade pode incentivar o retorno aos estudos dos idosos?
Garantir o acesso contínuo às salas de aula exige a articulação eficaz entre governos, escolas e vizinhanças. O fortalecimento de políticas públicas integradas cria espaços inclusivos, oferecendo o necessário acolhimento pedagógico para que pessoas experientes possam reaprender sem constrangimentos sociais.
O incentivo constante dos parentes próximos estimula a permanência desses valorosos estudantes durante as atividades escolares. Esse afetuoso apoio doméstico renova sonhos, combate o isolamento na maturidade e constrói um futuro repleto de novas oportunidades de desenvolvimento humano.

