Médicos do HC se mobilizam para arrecadar R$ 10 mi para combater coronavírus

Campanha emergencial vai servir para a compra de equipamentos básicos de proteção aos profissionais, como máscaras e toucas descartáveis; saiba como ajudar

No front de batalha contra o novo coronavírus e já prevendo um dos maiores desafios de suas vidas, os médicos do HCFMUSP (Hospital da Clínicas da Faculdade de Medicina da Universidade de São Paulo) organizam uma campanha para arrecadar R$ 10 milhões ao hospital. O valor será destinado para a compra de equipamentos básicos para evitar a propagação do vírus.

“Precisamos, principalmente, de máscaras N95, aventais para evitar que o vírus caia no nosso corpo, toucas e também máscaras cirúrgicas para os pacientes com coronavírus, porque, toda vez que esse paciente tosse, ele expele gotículas contaminadas. Então, são equipamentos fundamentais para a proteção dos médicos e dos demais pacientes que estão no hospital”, explica Ricardo Vasserman, clínico geral do Hospital das Clínicas, idealizador da campanha.

Além de EPIs (equipamentos de proteção individual), o montante arrecadado será destinado para a compra de três aparelhos de raio-x móveis para acompanhar pacientes infectados e evitar a disseminação do vírus pelo hospital.

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Crédito: DivulgaçãoHC será um hospital de referência no combate ao coronavírus em São Paulo

Embora o HC seja um hospital público, a campanha #VemPraGuerra não tem relação nenhuma com o governo do estado. “É uma iniciativa criada e gerida pela sociedade civil e que alinhou o apoio oficial do HC para recebimento e gestão dos recursos”, explica Tatiane Menezes, coordenadora do movimento, que conta com cerca de 30 voluntários, entre médicos, advogados, publicitários e jornalistas.

Em pouco mais de 24 horas, a campanha já arrecadou quase 900 mil, e qualquer pessoa pode ajudar com qualquer valor. (Veja como fazer a doação aqui).

“Foi uma surpresa para todos o engajamento rápido e natural da população”, reconhece Menezes. “Esse sucesso tão grande mostra o poder da comunidade e como todos estão não só comprometidos com a luta contra o novo coronavírus, como empenhados em ajudar nesse desafio.”

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Crédito: DivulgaçãoMédicos do Hospital das Clínicas pedem ajuda


Demanda em alta no mercado mundial

Antes da crise do coronavírus, Ricardo Vasserman conta que o hospital usava, em um mês normal, em média, 5.700 máscaras N95, que saía pelo valor de R$ 1,35 a unidade. Agora, com a demanda mundial em alta, a unidade para um pedido de 40 mil máscaras está custando cerca de R$ 27,90.

O valor da máscara cirúrgica também teve um salto. Foi de R$ 0,10 a unidade para R$3,90. E se antes 135 mil unidades eram suficientes para um mês, agora eles preveem a necessidade de 670 mil.

Por enquanto, de acordo com Vasserman, não falta esse tipo de equipamento no hospital, e a luta é justamente para não deixar esse momento chegar, já que a defasagem desses itens básicos pode colocar em risco não só a saúde de médicos e enfermeiros, como também de pacientes e de outros profissionais do hospital.

“É, mais do que tudo, uma campanha de conscientização social para que a a gente faça uma mobilização da sociedade civil para apoiar a comunidade médica e para estar junto e ajudar nesse combate”, diz o médico.

Toda a verba levantada com o #VemPraGuerra sairá diretamente da plataforma de doação (https://www.charidy.com/vempraguerra) para a conta da Fundação Faculdade de Medicina, entidade privada, sem fins lucrativos e que se encarregará de repassar os valores.

A compra de materiais para os hospitais do complexo será feita pela Direção do Núcleo de Infraestrutura e Logística do Hospital das Clínicas, que, em uma situação de emergência e crise, está autorizada a comprar insumos por cotações no mercado, sem a necessidade de licitação, acelerando a chegada de novos recursos.

HC será referência contra o coronavírus

No epicentro dos casos de coronavírus, São Paulo terá o complexo do Hospital das Clínicas como o centro de referência no combate à doença.

A partir desta terça-feria, 24, o HCFMUSP começa uma operação de guerra para liberar 900 leitos exclusivos do Instituto Central para o tratamento desses pacientes, sendo 200 deles UTI.

Para isso, os pacientes com outras enfermidades serão transferidos para os outros sete institutos do complexo, conforme adiantado pelo governador João Doria em coletiva nesta terça-feira, 24.

Os casos de coronavírus que chegarão ao Hospital das Clínicas deverão ser encaminhados pela Secretaria de Estado da Saúde. Portanto, a população não deve procurar diretamente o hospital, mas sim a unidade básica de saúde mais próxima de sua casa. Em caso de necessidade, elas serão encaminhadas para o HC.

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