Sebastián La Rosa, médico especialista em longevidade: “Quando nos falta magnésio, envelhecemos mais rápido”

Castanha-do-brasil, gergelim e feijão estão entre as fontes do mineral, e suplemento só com orientação médica

A falta de magnésio no organismo pode acelerar o envelhecimento, segundo o médico argentino Sebastián La Rosa, especialista em longevidade. A explicação dele, repercutida pelo jornal espanhol ABC, liga o déficit do mineral à inflamação crônica e à saúde do coração. A boa notícia é que o magnésio está em alimentos comuns no prato brasileiro, como feijão, castanhas e folhas verde-escuras.

O que o médico diz sobre magnésio e envelhecimento

La Rosa compartilha nas redes conteúdos sobre alimentação, hábitos e longevidade. Numa publicação recente, citada na reportagem do ABC sobre magnésio e longevidade, ele responde à própria pergunta: “O magnésio pode desacelerar a forma como envelhecemos? Sim, ele age sobre vários mecanismos que explicam a deterioração com a idade”.

O principal deles, segundo o médico, é a inflamação sistêmica, fenômeno que a ciência chama de inflammaging, a junção em inglês das palavras inflamação e envelhecimento. “Quando nos falta magnésio, aumentamos a liberação de interleucina 1 e TNF alfa, junto com outros marcadores inflamatórios”, afirma.

Ele acrescenta que a falta do mineral aumenta a agregação plaquetária, a tendência das plaquetas de grudarem umas nas outras, o que favorece a formação de coágulos.

São explicações sobre mecanismos do corpo, não uma promessa de vida mais longa. Nenhum mineral isolado faz esse trabalho sozinho.

Para que serve o magnésio no corpo

De acordo com o ABC, o magnésio é o quarto mineral mais abundante no corpo humano, atrás de cálcio, sódio e potássio, e participa de mais de 300 reações bioquímicas. Entre elas estão a produção de energia, a fixação do cálcio e o funcionamento de músculos e nervos.

A quantidade recomendada por dia para adultos, segundo o Escritório de Suplementos Alimentares dos Institutos Nacionais de Saúde dos Estados Unidos (NIH), é de 400 a 420 mg para homens e de 310 a 320 mg para mulheres.

Quais sinais podem indicar falta do mineral?

O NIH lista como sintomas de deficiência a perda de apetite, náusea, vômito, cansaço e fraqueza. Nos casos mais graves podem surgir dormência, formigamento, cãibras, convulsões, mudanças de personalidade e ritmo cardíaco alterado.

Segundo o mesmo órgão, têm mais chance de consumir pouco magnésio os homens com mais de 70 anos, os adolescentes, os idosos em geral e pessoas com doenças gastrointestinais, diabetes tipo 2 ou alcoolismo de longa data.

Esses sinais são comuns a muitas outras condições, por isso só o médico consegue dizer, com exame e avaliação, se o problema é magnésio. E nem toda dor na perna é cãibra: dor na panturrilha com inchaço em uma perna só pode indicar trombose e pede atendimento rápido.

Castanha, gergelim e feijão estão entre as fontes do dia a dia

A lista do ABC inclui castanha-de-caju, espinafre cozido, amêndoas, chocolate com mais de 85% de cacau, lentilha, aveia, pão integral, iogurte, abacate e banana.

No Brasil, a referência é a Tabela Brasileira de Composição de Alimentos (TACO), da Unicamp. Estes são alguns dos teores de magnésio que ela registra a cada 100 g de alimento:

  • Castanha-do-brasil crua: 365 mg
  • Gergelim: 361 mg
  • Linhaça: 347 mg
  • Castanha-de-caju torrada e salgada: 237 mg
  • Espinafre refogado: 123 mg
  • Aveia em flocos: 119 mg
  • Chocolate meio amargo: 107 mg
  • Feijão carioca cozido: 42 mg
  • Banana-prata: 26 mg

Castanhas e sementes concentram muito mineral em pouco volume, mas também são calóricas, então porções pequenas bastam. O feijão tem menos por 100 g, só que entra no prato quase todo dia, e a constância conta.

Gergelim e linhaça vão bem por cima da salada, do iogurte ou da fruta. Uma salada de folhas escuras com castanha picada já reúne duas fontes numa refeição só.

Suplemento só com orientação médica

O magnésio virou um dos suplementos da moda, usado para dormir melhor e para a recuperação muscular. Mas tomar por conta própria tem limite. O NIH orienta que adultos não ultrapassem 350 mg por dia vindos de suplementos e medicamentos, a não ser por recomendação de um profissional de saúde.

Suplementar magnésio por conta própria tem limite e pode interagir com remédios – Imagem ilustrativa criada por inteligência artificial
Suplementar magnésio por conta própria tem limite e pode interagir com remédios – Imagem ilustrativa criada por inteligência artificial

Doses altas podem causar diarreia, náusea e cólica abdominal. O suplemento também pode interagir com remédios, como alguns antibióticos, diuréticos e medicamentos para refluxo usados por longo prazo. Quem tem doença renal ou toma remédio contínuo precisa conversar com o médico antes.

Longevidade, de resto, não sai de um frasco. Alimentação variada, sono e movimento andam juntos, e a ciência já mostrou que a atividade física pode desligar um interruptor que envelhece os músculos.

Antes de procurar o suplemento na farmácia, olhe para o prato: o arroz com feijão de todo dia já é um bom começo.