Treinador explica: quem começa a fazer exercício aos 60, ou até mais tarde, pode passar a subir escadas sem se cansar e a sentir menos dores
Para o treinador José Ruiz, o ganho não é corpo de academia, e sim dar conta da casa e da rua com mais força
Quem acha que passou da hora de começar a fazer exercício depois dos 60 pode rever essa ideia. O treinador espanhol José Ruiz contou em entrevista ao jornal Mundo Deportivo que já viu muita gente começar nessa idade, ou mais tarde, e passar a subir escadas sem se cansar e a sentir menos dores.

O recado dele não é sobre corpo de academia. É sobre conseguir dar conta das tarefas da casa e da rua com mais folga.
Começar tarde ainda dá resultado
Ruiz é fundador da Malagaentrena e produz conteúdo sobre condicionamento físico na internet. Na conversa com o jornal de Barcelona, publicada em 4 de outubro, ele resumiu o que observa em alunos que chegaram ao treino com a idade já avançada:
“Pessoas que começam a treinar aos 40, 50, 60 anos ou até mais tarde melhoram muitíssimo a qualidade de vida. Às vezes não falamos só de estética, mas de poder subir escadas sem se cansar, levantar de uma cadeira com facilidade, reduzir dores, melhorar a postura ou recuperar a confiança.”
Repare que quase nada na lista tem a ver com aparência. Tudo gira em torno de autonomia, e esse é o ganho que mais pesa para quem quer continuar resolvendo a própria vida sem depender dos outros.
O que muda primeiro no dia a dia
A reportagem do Mundo Deportivo acrescenta que muitos aspectos da rotina se beneficiam de qualquer tipo de atividade física, porque o corpo se ativa e as articulações ganham mobilidade e independência.
Na prática, são cenas comuns. Encarar a escada do prédio no dia em que o elevador está em manutenção. Sair do sofá baixo sem empurrar os joelhos com as mãos. Ficar mais tempo de pé na fila do mercado sem procurar onde se escorar.
O treinador não fala em prazo para essas mudanças aparecerem, e cada corpo responde no seu ritmo. Por isso, a melhor régua é a sua própria rotina: perceber se a mesma tarefa da semana passada ficou um pouco mais leve.
Se a escada é o seu termômetro, a Catraca já explicou por que, depois dos 60, velocidade e equilíbrio na escada contam tanto quanto o número de degraus.
Precisa treinar todos os dias?
Não necessariamente. Ruiz diz que treinar todos os dias pode fazer bem, desde que a intensidade não fique sempre alta. Segundo ele, tudo depende do nível de esforço e do condicionamento de cada pessoa.
Ele separa duas coisas bem diferentes. Uma é se mexer diariamente, caminhar, fazer exercícios de mobilidade ou uma sessão leve. Outra é encarar treinos intensos de força ou de cardio nos sete dias da semana.
Para a maioria das pessoas que têm trabalho, estresse, família e pouco descanso, o treinador avalia que começar com treino diário não costuma ser necessário nem recomendável. Um treino diário só faz sentido, na visão dele, quando está bem planejado.
Para quem está saindo do sedentarismo, isso alivia a cobrança. O primeiro plano pode ser modesto e ainda assim valer a pena.
Força vem em primeiro lugar na lista do treinador
No fim da entrevista, Ruiz apontou os três hábitos que considera principais para uma vida longa e saudável. O primeiro deles é direto: “O treino de força. Não só por estética, mas porque o músculo é saúde.”

O segundo hábito é se movimentar mais ao longo do dia, fora do horário de treino. O terceiro junta duas frentes que costumam ser esquecidas por quem só pensa em exercício: cuidar da alimentação e da qualidade do sono à noite.
Para quem nunca pegou um peso, a ordem pode assustar. Só que treino de força não exige barra pesada logo de cara. Elásticos, halteres leves e o peso do próprio corpo entram nessa conta, sempre com carga ajustada e técnica acompanhada de perto.
A Catraca reuniu orientações sobre como começar a treinar força sem se machucar, útil para dar os primeiros passos com mais segurança.
Onde buscar orientação no Brasil?
Antes de tudo, quem tem dor, lesão ou doença crônica, como pressão alta, diabetes ou problema nas articulações, deve conversar com um médico ou com um educador físico antes de começar. A avaliação ajuda a escolher exercícios e cargas que respeitem o corpo de cada um.
Quem não pode pagar academia tem uma opção pública. O SUS mantém o Programa Academia da Saúde, lançado em 2011 segundo o Ministério da Saúde, com polos que oferecem atividade física com profissionais qualificados e fazem parte da atenção primária. Pergunte na unidade básica de saúde do seu bairro se existe um polo por perto.
Com orientação e um ritmo possível, a idade deixa de ser desculpa. O que conta é dar o primeiro passo e manter a constância.