Idosa de 92 anos morre com covid-19 após ter recebido alta do hospital

A unidade hospitalar chegou a fazer uma homenagem para D. Rosa Neves comemorando sua suposta cura da doença

Por: Redação

A dona de casa Rosa Neves, de 92 anos, morreu vítima da covid-19, dias após receber uma homenagem do Hospital Municipal Evandro Freire, na Ilha do Governador, Zona Norte do Rio de Janeiro, por supostamente ter se curado do novo coronavírus.

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Crédito: Arquivo PessoalIdosa de 92 anos morre com covid-19 após ter recebido alta do hospital

A confirmação de que a idosa estava com a covid-19 quando morreu, em 20 de julho, consta no seu atestado de óbito emitido pelo Hospital São José, em Duque de Caxias, cidade da Baixada Fluminense.

No dia 1º de julho, quando recebeu alta do Hospital Municipal Evandro Freire, Rosa Neves ganhou uma placa dizendo “Eu venci a Covid”, mas a família afirma que nunca recebeu o laudo do exame que a idosa teria testado negativo para o novo coronavírus.


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Em entrevista ao G1, o neto de Rosa, Ricardo Pereira dos Santos afirmou que acredita que a sua avó tenha sido contaminada na unidade hospitalar porque chegou nela apenas com um mal-estar. “Eu acredito que ela tenha se contaminado no hospital. Tenha trazido isso do hospital, da primeira vez. Até o momento que ela foi se internar, ela estava isolada completamente. Ela, meu avô e minha tia não recebiam a visita para ninguém. Eu trazia a compra e deixava na porta de casa. Eu nem entrava”, disse.

A Secretaria Municipal de Saúde do Rio de Janeiro (SMS -RJ) confirmou que a idosa de 92 anos, com Alzheimer e supostamente covid-19 foi transferida — do Hospital Evandro Freire, na Zona Norte do Rio, para o Hospital Municipal São José, na Baixada Fluminense — sem que a família fosse avisada. A Secretaria lamentou e pediu “desculpas aos familiares”, além de destacar que os resultados dos exames ficam à disposição da família.

Já a Secretaria Municipal de Saúde e Defesa Civil de Duque de Caxias informou que a paciente deu entrada no hospital dia 13 de julho e foi realizado exame de tomografia de tórax, que evidenciou “acometimento pulmonar de 30 a 50%, necessitando de oxigênio”. A paciente teve “piora progressiva clínica e respiratória, sendo necessário intubação orotraqueal e ventilação mecânica”. Dona Rosa morreu no dia 20 de julho.

Nota da Secretaria Municipal de Saúde do Rio de Janeiro

A direção do Hospital Municipal Evandro Freire não soube da morte da paciente, internada em Duque de Caxias, mas se solidariza com a família nesse momento de dor.

A direção da unidade compreende as dúvidas da família, mas deixa claro que todos os protocolos foram seguidos e não é possível avaliar onde a Dona Rose foi infectada. Cabe lembrar que há mais de três meses foi decretada a transmissão comunitária da Covid-19 no Rio – quando é impossível saber a origem do contágio.

Dona Rosa deu entrada no Hospital Municipal Evandro Freire no dia 24 de junho, apresentando sintomas compatíveis com Covid-19, como comprometimento dos pulmões. Exames realizados, incluindo tomografia, indicavam que ela poderia estar infectada pelo vírus e, diante disso, foi tratada como paciente com suspeita da doença. O tratamento de Dona Rosa seguiu rigorosamente o protocolo do Ministério da Saúde – que determina que todo caso suspeito seja tratado como tal, independente do resultado do exame específico para detectar o vírus.

A paciente teve alta sete dias depois da internação porque apresentava melhora em seu quadro clínico e já tinha completado 14 dias do início dos sintomas. Durante o tempo em que ficou no Evandro Freire, Dona Rosa esteve internada na enfermaria- local destinado aos pacientes com quadros menos graves.

A melhora da Dona Rosa foi comemorada, sim, como uma vitória sobre a covid-19, doença para qual estava sendo tratada, num gesto de carinho por parte da equipe de profissionais de saúde que cuidou da paciente durante o tempo que ela ficou internada.