Fátima mostra relato de vítima de violência doméstica na quarentena

AVISO DE GATILHO: violência doméstica"Ele não me deixava falar e fiquei com uma deficiência na perna", disse a mulher

Por: Redação

Fátima Bernardes se chocou ao exibir no Encontro desta quinta-feira, 21, da Globo, um relato angustiante de uma vitima de violência doméstica. No áudio, que foi compartilhado com o público, a mulher que sofreu nas mãos do então namorado pediu socorro ao perceber que o agressor se aproximava e gritou muito.

encontro com fatima bernardes
Crédito: Reprodução/GloboFátima Bernardes ficou chocada com relato de violência doméstica no Encontro

“É muito forte, né?!”, disse a apresentadora com muito desconforto. A gravação aconteceu em agosto de 2019, mas só agora divulgada.

A mulher, que teve sua identidade preservada por segurança, contou que no começo do relacionamento o ex-companheiro tinha um comportamento normal, mas quando foram morar juntos ele começou a ser abusivo.

“A gente se conheceu em uma rede social. A princípio ele era muito galanteador. Para mim, ele era o amor da minha vida. Mas bastou a gente ficar sozinhos, morar juntos, que as agressões começaram […] Eu comecei a perder a voz, ele não me deixava falar. Os primeiros sinais que a gente tem que perceber é isso: quando você começa a perder a sua identidade. Eu não podia falar com a minha família, o meu celular era o mesmo dele…”, relatou.

Em uma das agressões, a vítima teve sequelas na perna: “Até hoje eu não posso trabalhar porque eu fiquei com uma deficiência”.

O agressor é policial militar e está preso desde o fim de março por descumprimento da medida protetiva.

Veja abaixo alguns indícios de violência doméstica:

Demonstra amor de forma exagerada

As demonstrações de amor de forma exagerada, com pedidos de casamento, noivado ou namoro muito prematuros são indícios de um relacionamento que pode vir a ser abusivo.

Se dedica 100% à relação

Sabe aquela pessoa que parou de jogar futebol com os amigos, parou de ir aos passeios e fica 100% do tempo com a namorada, observando tudo o que acontece com ela? Isso é outro indício de uma tentativa de controle e, portanto, de violência.

Faz uso de um falso moralismo

O sujeito fala para que você precisa respeitar a sua família, mas ele não fala com a mãe dele há 5 anos e nunca a tratou bem. É algo que não se encaixa muito bem.

Utiliza chantagens frequentes

Chantagens, muitas chantagens. Para que a mulher não termine, o homem usa aspectos e pessoas essenciais da vida dela e a chantageia. Inclusive, em certos casos, o agressor chega a inventar que está com uma doença grave ou até mesmo ameaça se matar.

Se vitimiza sempre

O homem sempre se coloca como vítima. Às vezes de antigas namoradas, em outros casos de familiares ou chefes mulheres. Todas causaram mal a ele. Ou seja, a raiva com que ele trata a companheira e o resto das pessoas é justificada como se fosse uma reação ao sofrimento que enfrentou ao longo da vida. No entanto, a mulher precisa prestar atenção, pois, após certo tempo, ela mesma será colocada como mais um algoz na vida do rapaz.

Desqualifica a mulher em público

A todo momento, ele tenta desqualificar a vítima em público e deslegitimar todos seus sentimentos, desde a dor, o sofrimento e até a alegria.

Por exemplo: a mulher chega toda feliz em casa porque será promovida no emprego, e ele responde: “Não tem nada a ver com talento, mas sim porque seu chefe está querendo te pegar”.

Além disso, o companheiro passa a minar todas as coisas que são básicas a ela: faz silêncios violentos, ameaça ficar sem falar com ela caso não siga um pedido seu, entre outros comportamentos.

Trai com frequência

Um aspecto que aparece frequentemente são as traições. O indivíduo tem o hábito de trair e colocar essas traições como culpa do outro: “Olha, eu te traí porque você ficou diferente comigo, porque você está muito fria”.

Um caso que acontece sempre é o homem ter brigado o dia todo com a mulher, aí chega à noite e quer ter relação sexual, mas ela nega. Então, ele a trai e ainda diz que fez isso porque ela não tem mais interesse e o jogou nos braços de outra mulher. Leia a matéria completa no LINK.

COMO DENUNCIAR?

Disque 180
O Disque-Denúncia foi criado pela Secretaria de Políticas para Mulheres (SPM). A denúncia é anônima e gratuita, disponível 24 horas, em todo o país. Os casos recebidos pela central são encaminhados ao Ministério Público.

Disque 100
O serviço pode ser considerado como “pronto socorro” dos direitos humanos pois atende também graves situações de violações que acabaram de ocorrer ou que ainda estão em curso, acionando os órgãos competentes, possibilitando o flagrante. O Disque 100 funciona diariamente, 24 horas por dia, incluindo sábados, domingos e feriados.

As ligações podem ser feitas de todo o Brasil por meio de discagem gratuita, de qualquer terminal telefônico fixo ou móvel (celular), bastando discar 100.

Polícia Militar (190)
A vítima ou a testemunha pode procurar uma delegacia comum, onde deve ter prioridade no atendimento ou mesmo pedir ajuda por meio do telefone 190. Nesse caso, vai uma viatura da Polícia Militar até o local. Havendo flagrante da ameaça ou agressão, o homem é levado à delegacia, registra-se a ocorrência, ouve-se a vítima e as testemunhas. Na audiência de custódia, o juiz decide se ele ficará preso ou será posto em liberdade.