Vários treinadores concordam: “Aos 70 anos, em vez de fazer alongamentos parados, é muito mais eficaz treinar equilíbrio ficando em um pé só apoiado na pia da cozinha”
Fique diante de uma pia ou bancada firme, mantenha os pés afastados na largura dos quadris e segure o apoio com as duas mãos.
Os alongamentos estáticos podem preservar a flexibilidade, mas não treinam diretamente as respostas usadas pelo corpo para evitar uma queda. Ficar alguns segundos sobre uma perna, sempre perto de um apoio firme, desafia o equilíbrio corporal, fortalece músculos estabilizadores e desenvolve o controle necessário para caminhar, subir degraus e mudar de direção com segurança.

Por que ficar em um pé só ajuda a prevenir quedas?
Ao diminuir a base de sustentação, o corpo precisa realizar pequenos ajustes nos tornozelos, joelhos, quadris e tronco para permanecer estável. Esses movimentos ativam músculos e sistemas sensoriais que participam da recuperação do equilíbrio quando a pessoa tropeça ou pisa em uma superfície irregular.
- Fortalece músculos estabilizadores dos pés e das pernas;
- Estimula a percepção da posição do corpo no espaço;
- Treina ajustes posturais diante de pequenas oscilações;
- Reproduz a fase da caminhada em que apenas um pé toca o chão;
- Ajuda a identificar diferenças de estabilidade entre as pernas;
- Pode ser adaptado conforme a capacidade individual.
Dez segundos representam uma meta obrigatória?
Não. A capacidade de sustentar uma posição unipodal por dez segundos é usada em algumas avaliações, mas não funciona como um limite universal entre segurança e risco. Um estudo com adultos de 51 a 75 anos encontrou associação entre não completar esse teste e maior risco de mortalidade, mas não demonstrou que alcançar dez segundos, sozinho, impeça quedas.
O tempo alcançado varia com idade, força, visão, funcionamento do ouvido interno, uso de medicamentos e condições neurológicas ou articulares. A avaliação do risco de queda também pode incluir velocidade da caminhada, capacidade de levantar da cadeira e histórico de quedas, não apenas um único teste.
Como fazer o exercício com apoio na pia?
Fique diante de uma pia ou bancada firme, mantenha os pés afastados na largura dos quadris e segure o apoio com as duas mãos. Transfira o peso para uma perna e levante o outro pé apenas alguns centímetros. Sustente a posição por cinco segundos e retorne lentamente, repetindo do outro lado.
- Use calçados firmes e faça o exercício em piso seco;
- Mantenha uma cadeira ou bancada resistente ao alcance das mãos;
- Comece com cinco segundos em cada perna;
- Realize duas ou três tentativas de cada lado;
- Reduza gradualmente a força das mãos sobre o apoio;
- Mantenha os olhos abertos e olhe para um ponto fixo;
- Interrompa diante de tontura, dor ou sensação de queda.

Fique diante de uma pia ou bancada firme, mantenha os pés afastados na largura dos quadris e segure o apoio com as duas mãos. - Imagem gerada por IA
O treino de equilíbrio substitui os alongamentos?
Não. Os dois exercícios possuem finalidades diferentes. O alongamento estático pode ajudar a conservar ou melhorar a amplitude de movimento, enquanto o apoio em uma perna desafia estabilidade, coordenação e controle postural. Para reduzir o risco de quedas, atividades de equilíbrio costumam ser mais específicas do que permanecer parado em uma posição confortável.
As orientações para pessoas mais velhas recomendam combinar atividades aeróbicas, fortalecimento muscular e treino de equilíbrio durante a semana. Ficar sobre uma perna é uma das opções, mas também podem ser usados caminhada em linha, elevação dos calcanhares e movimentos de tai chi.
Quais cuidados são necessários depois dos 70 anos?
Pessoas com quedas recentes, vertigem, desmaios, fraqueza acentuada ou dificuldade para permanecer em pé devem evitar treinar sozinhas. O exercício também precisa ser adaptado quando há problemas de visão, neuropatia, dor intensa ou uso de dispositivos para caminhar. Nessas situações, uma avaliação profissional ajuda a definir uma progressão mais segura.
O treino pode complementar os exercícios de força indicados depois dos 60 anos e o estudo do equilíbrio fisiológico. O objetivo não é permanecer muito tempo sem apoio, mas desafiar o corpo gradualmente, em um ambiente protegido, para preservar mobilidade, confiança e autonomia.